quarta-feira, 25 de março de 2015

Governadores discutem com Dilma crescimento da violência no Nordeste


Dilma se encontra com nove governadores do Nordeste em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação.
Dilma se encontra com nove governadores do Nordeste em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação.
Da Agência Brasil
A presidenta Dilma Rousseff está reunida na tarde desta quarta-feira (25) com os nove governadores da Região Nordeste. O encontro, no Palácio do Planalto, ocorre depois que os chefes do Executivo dos estados nordestinos anunciaram a recriação do Fórum dos Governadores do Nordeste, em dezembro do ano passado.
A reunião começou por volta das 16h30 e conta, também, com a presença do vice-presidente da República, Michel Temer, dos ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, da Fazenda, Joaquim Levy, do Planejamento, Nelson Barbosa, da Previdência, Carlos Gabas, e da Secretaria de Relações Institucionais, Pepe Vargas.
No documento chamado de Carta da Paraíba, os governadores elegeram 15 pontos prioritários para melhorar as políticas públicas e solicitam investimentos para o aumento dos indicadores sociais e econômicos na região. A carta foi elaborada durante encontro no dia 9 de dezembro do ano passado, em João Pessoa.
Além de novas formas de financiamento para a saúde, principalmente para a média e alta complexidade, os governadores centram suas demandas na área da segurança. Eles pedem a construção de uma política nacional para modernizar as forças de segurança e de um plano nacional de combate às drogas e às armas.
“No tocante à criminalidade, à medida que o Nordeste cresceu economicamente, na contramão das demais regiões do país, os índices de violência chegaram a níveis extremos. Em alguns estados, a Organização Mundial da Saúde trata a situação de segurança como problema ‘endêmico’”, escreveram os governadores.
Outros pontos da carta chamam a atenção para o Nordeste sobre políticas que têm sido implantadas em todo país, como investimentos em infraestrutura, reforço à política educacional, incentivos fiscais para a industrialização e incentivo ao setor sucroalcooleiro.
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Violência na Mata Sul
Os altos índices de violência contra a mulher na Mata Sul de Pernambuco resultaram em passeata e audiência pública no município de Ribeirão, distante 87 quilômetros do Recife. Cerca de 50 mulheres foram às ruas cobrar políticas públicas que favoreçam o segmento e diminuam a violência doméstica, principal causa no número de homicídios.
Pesquisa realizada pela ONG SOS CORPO Instituto Feminista para a Democracia revelam que dados do SINAN (Sistema Nacional de Agravos e Notificações) captaram, de 2009 a 2014 18.600 mil notificações de violência doméstica, sexual ou outras violências praticadas contra mulheres com idade a partir de 15 anos em Pernambuco. Na Zona da Mata Sul, registraram-se 392 casos nesse período, com destaque para os municípios de Vitória de Santo Antão (181) e Escada (30) que foram os municípios que apresentaram mais notificações na região.
Presidente do Centro das Mulheres de Ribeirão, Sônia Lima disse que as mulheres não aguentam mais injustiças e o machismo ainda impera na região. “Precisamos dar um basta à violência e exigir mais políticas públicas para as mulheres”.
O protesto percorreu as principais ruas da cidade e terminou na Câmara dos Vereadores, onde aconteceu uma audiência pública com a presenças de representantes do legislativo, entidades e governo estadual. Simone Ferreira, do SOS Corpo, revelou que a maioria das mulheres vítimas da violência na região são negras.
“Conseguimos algumas conquistas nessa luta contra a cultura machista, como a Lei Maria da Penha, por exemplo, mas precisamos de políticas públicas eficientes”, afirmou. Fez ainda uma crítica às políticas públicas sem orçamento. “Não adianta ter uma secretaria, sem equipe, estrutura e orçamento”, disse.
O deputado federal Augusto Coutinho, do Solidariedade, levou o tema para o plenário da Câmara e afirmou ser um assunto que o Brasil precisa discutir urgentemente, sobretudo exigindo que o governo federal cumpra as suas obrigações.
“Alguns avanços aconteceram, é fato, como a Lei Maria da Penha. No entanto, o cenário ainda é desalentador, sobretudo pela omissão total do governo federal”, criticou o parlamentar.

Fonte: http://blogs.ne10.uol.com.br/jamildo/